BCE. Christine Lagarde renuncia ao cargo para intervir livremente e "defender a verdade"

BCE. Christine Lagarde renuncia ao cargo para intervir livremente e "defender a verdade"

A presidente do Banco Central Europeu justificou a decisão de abandonar o cargo antes do fim do mandato com o desejo de intervir e "defender a verdade" em matéria de política internacional.

Nicole Russo - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Christophe Petit Tesson - EPA

Christine Lagarde anunciou, esta quinta-feira, o afastamento antecipado do Banco Central Europeu, colocando um ponto final a meses de especulação sobre o seu futuro à frente da instituição. 

A decisão partiu, porém, da vontade de intervir livremente em público sobre questões que ultrapassam a política monetária. Estando num cargo de alta responsabilidade no BCE, Christine Lagarde está sujeita a regras rigorosas de neutralidade.

“Quero ter liberdade de discurso, liberdade de expressão e liberdade para me dedicar a outros assuntos”, explicou, em conferência de imprensa.

Lagarde confessou que já não se sentia à vontade para permanecer em silêncio sobre questões políticas e globais, acreditando que o seu contributo pode ser importante: “Sinto que devo dizer essas coisas e não posso fazê-lo na minha posição atual”.

A saída antecipada da atual presidente está a ser coordenada com tranquilidade no Banco Central Europeu e “já foi iniciado o processo" para identificar um sucessor ao cargo.

“A instituição é sólida, forte, como uma rocha, e continuará a sê-lo”, concluiu a dirigente.

Líder do BCE desde 2019, Lagarde permanecerá no cargo até fevereiro de 2027, mas o contrato previa que o mandato durasse até outubro do próximo ano.
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